TÉCNICA DE FUNILARIA ARTESANAL

OBJETIVO DA INSTRUÇÃO:

Ensinar os princípios básicos da técnica e uso do ferramental WORKTOOL'S de funilaria artesanal; havendo necessidade de treinamento constante após a instrução para o melhor aproveitamento da técnica bem como do ferramental. A instrução proporcionada abrange as técnicas americanas mais usadas bem como as nacionais e lembretes e dicas gerais para um melhor aprendizado.

DESIGNAÇÃO NOMINAL:

Termo usado nas montadoras: ( Funilaria de Brilho ).
Termo popular: ( Martelinho de Ouro ).
Termo técnico: ( Lanternagem ).

ORIGEM DA TÉCNICA:

Técnica desenvolvida para as montadoras na década de 60 na Europa; para evitar o retrabalho na linha de produção. Pois o custo do retrabalho na linha de produção é muito alto e esta técnica permite ganho de tempo, espaço e baixo custo. Com o passar dos anos a técnica vem sendo aprimorada bem como o ferramental usado tornando este método mais profissional e acessível popularmente, em função disto tem surgido oficinas e franquias especializadas nesta técnica de funilaria.

UTILIZAÇÃO:

A técnica permite a recuperação da áreas danificadas evitando-se assim a repintura, com rapidez, economia de material, ganho de tempo e uma melhor qualidade, mantendo a originalidade da peça trabalhada. Está técnica pode ser aliada a funilaria tradicional tornando-a mais eficaz na recuperação de peças evitando-se assim o uso de massas de quaisquer tipo, bastando assim a simples aplicação de um primer de enchimento.

ÉTICA:

Certo:

· Usar de honestidade antes de executar o serviço, avisando o cliente das possibilidades dos resultados.
· Sempre que necessário inovar.
· Fazer serviços da maneira mais limpa possível.
· Fazer o máximo de esforço para obter perfeição com qualidade.
· Informar ao cliente quando a técnica não for a indicada.
· Encaminhar para a funilaria tradicional todos os serviços que após o orçamento não forem executáveis através desta técnica.
· Nunca iludir o cliente com falsas promessas, informando que em certas áreas poderá ficar cicatrizes ou o serviço não pode ser executado.

Errado:

· Não se deixar induzir pelo cliente quanto a possibilidade de executar o serviço.
· Falar mal de outros profissionais da área.
· Deixar o cliente sem solução.
· Danificar peças na desmontagem ou durante a execução do trabalho.
· Comprometer a estrutura do veiculo.
· Fazer promessas e expectativas estremas em caso de difícil acesso.

TERMOS TÉCNICOS MAIS USADOS:

· Espalhar: Rebatimento feito em uma área para disfarçar um amassado ou eliminar a pressão de um determinado local.
· Tinta saturada: Pintura na qual encontra-se pequenas fissuras ou trincas em forma de teias leves.
· Chapa estirada: Referente a chapa que estirou demasiadamente formando vincos profundos, chapa que apresenta uma dobra profunda passando de seu estado elástico para o estado plástico não podendo ser reparada a não ser pela técnica de funilaria tradicional com calor e rebatimento da peça.
· Estado elástico: Forma flexível na qual a chapa se encontra, permitindo que seja manuseada e reparada mudando sua posição.
· Estado plástico: Forma rígida e com tensão na qual a chapa se encontra, não alterando-se com facilidade.
· Barras de proteção: Barras internas soldadas ou parafusadas, geralmente encontradas em portas.
· Frisos: Vincos existentes nas chapas geralmente externas que servem entre outros motivos para a aerodinâmica do veículo.
· Reforços ou travessas: Geralmente encontradas nos capôs, tetos, laterais ou perto de travas.
· Calefação: Em forma de placas de "Andersil" ou "Cordões" encontrada nas travessas internas: Muitas vezes é necessário retirar ou cortar a calafetação para ter acesso a área danificada.
· Laqueação: Acabamento da pintura original: ex. muito grossa (alaranjada) ou lisa etc.
· Flambar: Termo usado para indicar o flexionamento da chapa.
· Sorriso horizontal ou vertical: Dito de uma forma de amassado, geralmente oval, com tensão nas bordas e sem vincos.
· Mossas: Amassados de quaisquer espécies.

CUIDADOS NA PREPARAÇÃO DE UM ORÇAMENTO:

· Sempre que possível lavar o veiculo antes ou pedir para o cliente que traga o veículo lavado
· Analisar as causas do amassado
· Procurar obter o maior número de informações possíveis com o cliente a respeito das causas que geraram o amassado.
· Verificar se o local danificado tem pintura original ou já foi repintado. No caso de ter sido repintado verificar se existe massa embaixo da pintura, perguntando para o cliente e olhando criteriosamente o veículo, ou além disso passando um pequeno imã no local danificado.
· Analisar o estado da pintura: boa ou saturada.
· Verificar se há desplacamento das camadas da pintura (descascamento da pintura).
· Observar e anotar na ordem de serviço (O.S.) riscos ou arranhões que encontram-se na peça a ser trabalhada;
· Verificar o grau de dificuldade para a execução dos serviços a serem efetuados.
· Verificar a facilidade para acessar ao local danificado.
· Verificar se não a nada quebrado no local a ser reparado; ex.: tapeçaria, para barro, frisos de borracha, além de verificar se a parte elétrica funciona, quando existente, e necessita de remoção.
· Pedir para que o cliente decida o que deve ser consertado.
· Marcar no veículo todas as avarias existentes e individuar aquelas autorizadas para a reparação.
· Fotografar o veículo pelo menos por dois ângulos (frente e uma lateral completa) e traseira com placa e outra lateral oposta completa.
· Preparar um termo de quitação do serviço para ser assinado pelo cliente.
· Dar prazo estimado de entrega.
· Avisar sempre que depois da autorização de execução do serviço, surgir algum imprevisto
· Não deixar se induzir pelo cliente a responsabilizar-se por possíveis defeitos de origem controversa.
· Ser sempre coerente no que se promete, na forma e nas possibilidades do resultado final do serviço, conforme o tipo de batida e o tipo de trabalho a ser efetuado.
 
OBJETIVO DO CURSO:
Ensinar os princípios básicos do reparo rápido, não esquecendo que haverá necessidade de treinamento após o curso para desenvolver a técnica ensinada, para obter-se um melhor aperfeiçoamento e melhores resultados.

LEMBRETES SOBRE O FERRAMENTAL:

01 - Martelo de pena: 50grs. E 100grs. Devem ser arredondados e polidos para não marcarem a superfície onde serão usados. Tem como principal uso rebater a área danificada quando está alta, e com isso diminuir a pressão em torno do amassado espalhando a tensão.
 
02 - Martelo de alumínio: Deve ser usado para espalhar a área danificada obtendo assim uma área mais uniforme, evitando-se que a peça fique tremida. Com auxilio de calor localizado na área danificada e a colocação de um Tasso de nylon internamente, podemos rebater esta área danificada e diminuirmos a extensão dos danos.
 
03 - Punção de nylon: Deve ser usado para encolhermos (abaixarmos) uma área que encontra-se esticada (alta) ou para dar acabamento final da pintura no local que esta sendo reparado, e para imitarmos a laqueação da pintura.
 
04 - Espátulas redondas finíssimas: Servem para alavancar amassados em áreas de difícil acesso e para acabamentos em travessas de capo ou teto.
 
05 - Espátula redonda média: Serve para alavancar áreas danificadas com pressões e locais de difíceis acessos em travessas e cantos de portas. Espátulas redondas médias servem para alavancar amassados em portas, pára-lamas, laterais e podem ser usadas para dar acabamento em locais aonde foi usado uma espátula mais grossa.
 
06 - Talhadeira de nylon: Serve para rebatermos um vinco ou friso danificado.
 
07 - Espátulas redondas grosas: Servem para alavancar áreas de chuva de granizo ou amassados em laterais e portas grandes.
 
08 - Tasso de nylon: Serve de apoio para rebatermos uma chapa.
 
09 - Soprador térmico: Serve para dar calor localizado na chapa, geralmente em grandes amassados ou em pontos de maior resistência.
 
10 - Fita silver tape: Deve ser usada na ponta das ferramentas para amortecer o efeito da mesma na chapa, no caso de ferramentas pontiagudas deve-se passar até 7 voltas em torno das pontas.
 
11 - Fita aluminizada: Serve para proteger um vinco ou friso quando rebater-los para que a tinta não venha a se romper e também internamente dentro de capôs para que as ferramentas não risquem as pinturas internas.
 
12 - Ponta de nylon: São usadas nas pontas das ferramentas para amortecer suas marcas e aumentar sua área, quando usadas para raspa-las na chapa.
Tabela Comparativa
Reparação no Capo do Motor
Sistema Convencional
Sistema Martelinho
Operação
Horas
Operação
Horas
Verificação de danos
15 Min.
Verificação de Pintura
5 Min
Montagem e Desmontagem
10 Min.
Montagem e Desmontagem
10 Min
Reparação de Danos
25 Min.
Reparação
10 Min
Preparação de Pintura
120 Min.
Polimento Local
5 Min
Pintura
95 Min.
Polimento e Acabamento
120 Min.
Total de Horas Trabalhadas
385 Min.
30 Min.

 

Tabela Comparativa
Reparação em Portas
Sistema Convencional
Sistema Martelinho
Operação
Horas
Operação
Horas
Verificação de danos
15 Min.
Verificação de Pintura
5 Min
Montagem e Desmontagem
40 Min.
Montagem e Desmontagem
10 Min
Reparação de Danos
50 Min.
Reparação
15 Min
Preparação de Pintura
120 Min.
Polimento Local
5 Min
Pintura
60 Min.
Polimento e Acabamento
75 Min.
Total de Horas Trabalhadas
360 Min.
35 Min.

 

Tabela Comparativa
Reparação em Para-lama Dianteiro
Sistema Convencional
Sistema Martelinho
Operação
Horas
Operação
Horas
Verificação de danos
15 Min.
Verificação de Pintura
5 Min
Montagem e Desmontagem
30 Min.
Montagem e Desmontagem
10 Min
Reparação de Danos
75 Min.
Reparação
15 Min
Preparação de Pintura
120 Min.
Polimento Local
5 Min
Pintura
60 Min.
Polimento e Acabamento
45 Min.
Total de Horas Trabalhadas
345 Min.
35 Min.

 

Tabela Comparativa
Reparação do Teto
Sistema Convencional
Sistema Martelinho
Operação
Horas
Operação
Horas
Verificação de danos
15 Min.
Verificação de Pintura
15 Min
Montagem e Desmontagem
60 Min.
Montagem e Desmontagem
60 Min
Reparação de Danos
180 Min.
Reparação
120 Min
Preparação de Pintura
183 Min.
Polimento Local
90 Min
Pintura
120 Min.
Polimento e Acabamento
120 Min.
Total de Horas Trabalhadas
675 Min.
285 Min.

 

MÉTODO DE TRABALHO:

Devemos procurar o melhor acesso para atingirmos o local a ser reparado da forma que não se tenha uma má postura ( podendo
ter problemas de coluna) ou um mal alcance do local e um pior ângulo de trabalho.
 
Posicionar-se sempre em relação ao reflexo de alguma fonte de luz, para poder melhor localizar o centro de avaria. O posicionamento de uma luz artificial deve ser feita de tal forma que o reflexo seja moderado para não agredir a vista após um prolongado tempo de trabalho e de tal forma que a área a ser trabalhada seja bem iluminada.
 
Não é aconselhável estar exposto por muito tempo a reflexos vindo de varias direções pois isso pode ocasionar uma má visão do local com os defeitos, e uma maior dificuldade de efetuar um serviço de qualidade. Após definida a posição de trabalho e a
forma de acesso, deve-se posicionar a ferramenta de tal forma a criar uma alavanca para poder flexionar a chapa a fim de localizar
o centro do amassado.

 

Após localizar o centro do amassado deve-se pressioná-lo em torno de 10 vezes para cima e para baixo flambando-o de modo a amolecer a chapa quebrando assim sua resistência de modo a não esticar demais a chapa no sentido oposto criando assim uma saliência na chapa no lado externo e comprometendo todo o serviço logo no início.

 

Após esta primeira operação, levantando o centro do amassado, deve-se no caso de amassados grandes, aliviar a tensão das bordas do amassado, rebatendo as mesmas com um martelo polido, não muito pesado. No caso de amassados leves, não haverá está necessidade, efetua-se o serviço em forma de espiral, levantando o restante da chapa até nivela-la ( sempre tomando o cuidado para não esticar a chapa demais e nem estourar a pintura).

 

Deve-se por final retirar as imperfeições existentes que restaram na chapa, de forma a imitarmos a laqueação original da pintura. No caso de chapa alta devemos espalhar a chapa rebatendo-a com um martelo polido; No caso de bicos ou vergões devemos rebate-los com um punção de nylon para baixo, de tal forma a nivelar o lugar mais alto e tendo sempre o cuidado de não amassar de novo para não criar um efeito mola na chapa (amassando vem e vai).

 

Nos casos de grandes amassados o método será o mesmo, porém devemos primeiramente calcando-se com um Tasso de nylon ou madeira inteiramente ou por fora com uma ventosa a vácuo ou por adesão de silicone o local danificado, sempre no centro ou próximo a algum friso que exista na área danificada, após isto empurraremos para fora a chapa e com isso feito obteremos uma diminuição no tamanho do amassado em cerca de 70%.

 

Os vestígios permanecentes deverão ser retirados 1 a 1. No caso de amassados em frisos e vincos, deve-se voltar primeiro o local do amassado que se encontra sob o friso ou vinco, criando assim dois amassados distintos, um superior e outro inferior, os quais serão retirados pelo método já visto anteriormente.

 

No caso de amassados de baixa profundidade e circulares, deve-se usar espátulas redondas sem pontas para poder escariar (esfregar) a chapa, de modo a flamba-la até conseguir nivela-la. Em amassados tipo sorriso, deve-se primeiro aliviar as pressões existentes em suas bordas para que quando seje pressionada a chapa pôr dentro (não tenha vincos).

 

Após esta operação proceder da mesma forma já vista anteriormente, empurrando o centro do amassado com um apoio ou através de ventosa por fora, em caso de amassados mais complexos ou fundo: Lembre-se sempre de que um serviço com 80% de resultado é geralmente aceito pelo cliente quando previamente avisado das possibilidades do resultado final, sendo que o cliente não deve ser iludido com falsas promessas e esperanças com relação aos possíveis resultados devido a dificuldade de alguns serviços.

RELAÇÃO DAS FERRAMENTAS DO KIT MASTER:

01 - GANCHO - SUPORTE PARA APOIAR FERRAMENTAS EM TETO E CAPO.
 
WA
WB FINAS PRETAS - PARA SER USADAS EM TRAVESSAS, TETO E CAPO ( pelo orifício )
WD
 
02 - ESPATULAS CHATAS - TIRAR AMASSADOS EM TRAVESSAS DE CAPO E TETO.
 
FA - PARA DAR ACABAMENTO DE AMASSADOS EM PORTA, TAMPA E PARALAMAS.
FB - PARA AMASSADOS EM PARALAMAS, PORTAS E TAMPA TRASEIRA.
DA - PARA AMASSADOS EM TAMPA DO PORTAMALAS E CAPO TRASEIRO
JL - PARA AMASSADOS EM PORTAS ENTRANDO PELO VIDRO.
TF - PARA AMASSADOS EM PARA LAMAS DIANTERO E TRASEIRO COM APOIO NAS RODAS.
SW - PARA AMASSADOS EM PARALAMAS, LATERAIS, PORTAS E TAMPA TRASEIRA.
TS - PARA AMASSADOS EM PARALAMAS, LATERAL TRASEIRA E PORTAS.
X - PARA ACABAMENTO EM CAPO, TETO, PARALAMAS, LATERAIS E PORTAS.
D - PARA TETO, CAPO ( Chuva de Granizo ), LATERAIS E PARALAMAS DE PICK-UP OU CARROS.
 
PA
PB CABO SEXTAVADO EM ALUMÍNIO - AMASSADOS EM TRAVESSAS OU BARRA DE PROTEÇÃO LATERAL
PC
 
MARTELO PENA - PARA ESPALHAR AMASSADOS.
PUNÇÃO NYLON - PARA TIRAR BICOS OU ABAIXAR UMA AREA.
TASSO NYLON - CALÇO PARA REBATER AMASSADOS.